{"id":1335,"date":"2016-09-05T15:02:39","date_gmt":"2016-09-05T14:02:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.epefrance.org\/?p=1335"},"modified":"2016-09-09T12:28:29","modified_gmt":"2016-09-09T11:28:29","slug":"partiu-maria-isabel-barreno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.epefrance.org\/fr\/noticias\/partiu-maria-isabel-barreno\/","title":{"rendered":"Maria Isabel Barreno (1939 &#8211; 2016)"},"content":{"rendered":"<p><strong>A Coordena\u00e7\u00e3o do Ensino Portugu\u00eas em Fran\u00e7a vem publicamente expressar o seu profundo pesar pela morte de Maria Isabel Barreno, Conselheira para os assuntos de Ensino do Portugu\u00eas, junto da Embaixada de Portugal em Paris, entre os anos 1997 e 2003.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Maria Isabel Barreno cuidou atenta e dedicadamente do ensino da L\u00edngua e Cultura Portuguesa para os alunos lusodescendentes, deu particular aten\u00e7\u00e3o a atividades culturais, nomeadamente concursos de fotografia e exposi\u00e7\u00f5es, que eram, \u00e0 sua maneira, uma forma de acarinhar, partilhar e promover a cultura portuguesa. <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No desempenho da sua miss\u00e3o, Maria Isabel Barreno ficar\u00e1 para sempre associada \u00e0 integra\u00e7\u00e3o do L\u00edngua Portuguesa como l\u00edngua viva estrangeira, no sistema de ensino oficial franc\u00eas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conseguiu junto das autoridades francesas que os cursos ELCO, na altura acess\u00edveis apenas \u00e0s crian\u00e7as de origem portuguesa ou de pa\u00edses lus\u00f3fonos, fossem abertos a qualquer crian\u00e7a que nele se quisesse inscrever, independentemente da sua origem. Devemos-lhe a introdu\u00e7\u00e3o, nas escolas prim\u00e1rias, do ensino do portugu\u00eas como LVE, l\u00edngua viva estrangeira. Em 2001, 2.500 alunos, em 32 escolas prim\u00e1rias, tiveram Portugu\u00eas como LVE. Este n\u00famero subiria para 4.600, no ano seguinte.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando iniciou a sua miss\u00e3o apenas existia a Sec\u00e7\u00e3o Internacional Portuguesa do Liceu Internacional de Saint Germain-en-Laye. Fez as dilig\u00eancias necess\u00e1rias para que, em colabora\u00e7\u00e3o com diretora desta sec\u00e7\u00e3o internacional portuguesa, fosse aberto um polo da sec\u00e7\u00e3o internacional portuguesa de Saint Germain-en-Laye num coll\u00e8ge e numa escola prim\u00e1ria em Le Pecq. O seu empenho por este tipo de ensino levou-a a lutar pela cria\u00e7\u00e3o de outras sec\u00e7\u00f5es e, quando terminou a sua miss\u00e3o, j\u00e1 estavam a funcionar as sec\u00e7\u00f5es internacionais portuguesas do coll\u00e8ge-lyc\u00e9e Montaigne e do coll\u00e8ge-lyc\u00e9e Balzac\u00a0 em Paris, assim como a do coll\u00e8ge-lyc\u00e9e international de Grenoble.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p>___________________________________________<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Maria Isabel Barreno <\/strong>\u00e9 uma das vozes mais originais da literatura portuguesa, saudada imediatamente pela cr\u00edtica, logo ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o do seu primeiro romance,\u00a0 <\/em><strong>De Noite as \u00c1rvores s\u00e3o Negras (1967)<\/strong><em>. Cidad\u00e3 e escritora militante em conson\u00e2ncia com o seu tempo, a sua obra p\u00f5e em cena uma\u00a0 sociedade fechada que amorda\u00e7a e aliena os homens e, em particular, as mulheres face a todos os condicionalismos da sociedade burguesa.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A sua participa\u00e7\u00e3o nas <\/em><strong>Novas Cartas Portuguesas (1972)<\/strong><em>, livro coletivo escrito em parceria com Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, inspirado na literatura feminina do s\u00e9culo XVII, abalou e p\u00f4s em causa o regime pela ousada exposi\u00e7\u00e3o da problem\u00e1tica feminina que punha em causa preconceitos, tabus anquilosados de uma sociedade paternalista e falocr\u00e1tica. Proibido pela Censura, com um processo no tribunal, com imenso impacto na imprensa internacional, s\u00f3 a Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos as iliba (Maria Isabel Barreno gostava de contar do imenso prazer que teve ao conseguir roubar, em pleno tribunal, o exemplar completamente anotado do advogado do regime\u00a0!).\u00a0 <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Ainda que a sua obra coloque no centro a quest\u00e3o do feminino, atrav\u00e9s do que se poder\u00e1 chamar uma escrita feminina (<\/em><strong>A Morte da M\u00e3e, 1979<\/strong><em>, romance\/ensaio em que a voz solit\u00e1ria de uma mulher dialoga com os atavismos mais prim\u00e1rios da sociedade ou como se anuncia explicitamente no t\u00edtulo <\/em><strong>Invent\u00e1rio de Ana,1982<\/strong><em>), ela \u00e9 atravessada por uma voz indagadora, que interroga as falsas evid\u00eancias, a ordem aparente e l\u00f3gica, desconstruindo uma vis\u00e3o da sociedade e do mundo patriarcal,\u00a0 dando chaves, apontando sinais,\u00a0 para que o leitor trace o seu pr\u00f3prio caminho a partir das ru\u00ednas. A sua escrita torna-se pura interroga\u00e7\u00e3o, onde o lirismo, vai a par com uma dimens\u00e3o de c\u00e1rater sociol\u00f3gico e, sobretudo, filos\u00f3fico.\u00a0 <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Como ensa\u00edsta elaborou v\u00e1rios estudos, na \u00e1rea da sociologia, sobre a juventude, os trabalhadores de origem rural, a imagem da mulher na imprensa, a condi\u00e7\u00e3o da mulher portuguesa.\u00a0\u00a0 <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O seu livro de cr\u00f3nicas, de pendor ensa\u00edstico, <\/em><strong>Um Imagin\u00e1rio Europeu (2000)<\/strong><em> escrito durante o seu per\u00edodo como Conselheira para os assuntos de Ensino do Portugu\u00eas em Paris, reflete sobre a nossa perten\u00e7a \u00e0 Europa, em termos de imagin\u00e1rio,\u00a0 ao mesmo tempo que questiona a nossa auto-representa\u00e7\u00e3o desse espa\u00e7o e suas consequ\u00eancias para a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas lingu\u00edsticas e culturais.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em> (<strong>Jos\u00e9 Manuel da Costa Esteves<\/strong>, respons\u00e1vel da c\u00e1tedra Lindley Cintra da Universidade Paris Ouest \u2013 Nanterre \u2013 La D\u00e9fense)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Coordena\u00e7\u00e3o do Ensino Portugu\u00eas em Fran\u00e7a vem publicamente expressar o seu profundo pesar pela morte de Maria Isabel Barreno, Conselheira para os assuntos de Ensino do Portugu\u00eas, junto da Embaixada de Portugal em Paris, entre os anos 1997 e 2003. 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